EduMusicalização Cognitiva

A Edumusicalização parte do princípio que, os conhecimentos são construídos a partir da; problematização; do questionamento; da discussão; da apresentação de dúvidas; e da troca de informações. Ensinar é orientar, propor, animar a discussão e aprender é envolver-se na troca coletiva, pela contribuição, reflexão e construção. Na Edumusicalização este processo se dá a partir dos estímulos musicais.

O pensamento construtivista é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o tal desenvolvimento está condicionado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio e toma como base que o conhecimento é construído pela pessoa, através do mediador que conduz o processo de aprendizado. Jean Piaget, psicológico suíço, estudou o desenvolvimento da inteligência, do nascimento à maturidade do ser humano, analisando a evolução do raciocínio.  É reconhecido como o pai do construtivismo e sua teoria é formalmente chamada de “Epistemologia genética”. O construtivismo defende a idéia de que o ser humano não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento de forma cada vez mais elaborada. Segundo Piaget (1983, p.291-292), “de uma maneira geral o organismo assimila incessantemente o meio à sua estrutura ao mesmo tempo que acomoda a estrutura ao meio, a adaptação podendo se definir como um equilíbrio entre tais trocas”.

A corrente construtivista voltada ao meio social e destacada pela teoria sociogenética de Vygotsky, tem como princípio básico a interioridade ou internalização. Outra característica central do pensamento de Vygotsky é a mediação semiótica das funções psicológicas humanas que está presente, tanto no mundo interpessoal quanto no intrapessoal.  Para Vygotsky (1984, P.101), “o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental […], o aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”.

O conhecimento está associado ao histórico-cultural da pessoa, isto quer dizer que mais se aprende, quanto mais próximo estiver da experiência do aprendiz, o mediador deve utilizar as múltiplas realidades culturais.

A existência dialética, interdependente dos mundos pessoal e social, não apenas existe como também é modificada no decorrer do desenvolvimento, a coletividade constitui-se através de pessoas com singularidades próprias, formando uma visão integrada de conhecimentos. O aprendizado se dá pela interação com o objeto e unificação de diferentes formas de entender uma mesma ideia através das informações compartilhadas.

O modelo cognitivo prevê que o aprendizado se desenvolve com o tempo até que seja praticado, transferindo o novo conhecimento a memória de longo prazo. De acordo com Arnold (1982, p.249), cognição é a “expressão para todo processo em que o ser vivo obtém conhecimento de um objeto ou toma consciência de seu ambiente. São processos de cognição: juízo, memória, aprendizagem, pensamento, e também freqüentemente linguagem”. A teoria cognitiva procura explicar os mecanismos internos que ocorrem na mente de uma pessoa, enfatizando a aprendizagem verbal. As pessoas pensam por conceitos, e um conceito sempre comunica o significado de algo. Uma aprendizagem é significativa quando a nova informação relaciona-se com um aspecto relevante da estrutura cognitiva da pessoa. Para que ocorra a aprendizagem é necessário haver uma relação entre o conteúdo aprendido, com aquilo que a pessoa já sabe, isto é, uma mediação, um relacionamento de informações.

Ensinar pressupõe um professor diferente, com muitas informações e mediador do processo e o aprendiz um sujeito ativo deste processo, que decide e faz a gestão do seu próprio conhecimento.

Artigo elaborado por Paulo P. Souza.